segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Texto para reflexão

A FÁBULA DA ÁGUIA E DA GALINHA

Esta é uma história que vem de um pequeno país da África Ocidental, Gana, narrada por um educador popular, James Aggrey, nos inícios deste século, quando se davam os embates pela descolonização. Oxalá nos faça pensar sempre a respeito.
"Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro, a fim de mantê-lo cativo em casa. Conseguiu pegar um filhote de águia.
Colocou-o no galinheiro junto às galinhas. Cresceu como uma galinha.
Depois de cinco anos, esse homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista.Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:
- Esse pássaro aí não é uma galinha. É uma águia.
- De fato, disse o homem.- É uma águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais águia. É uma galinha como as outras.
- Não, retrucou o naturalista.- Ela é e será sempre uma águia. Este coração a fará um dia voar às alturas.
- Não, insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia.
Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e, desafiando-a, disse:
- Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe!
A águia ficou sentada sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas.
O camponês comentou:
- Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!
- Não, tornou a insistir o naturalista. - Ela é uma águia. E uma águia sempre será uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.
No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa.
Sussurrou-lhe:
- Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe!
Mas, quando a águia viu lá embaixo as galinhas ciscando o chão, pulou e foi parar junto delas.
O camponês sorriu e voltou a carga:
- Eu havia lhe dito, ela virou galinha!
- Não, respondeu firmemente o naturalista. - Ela é águia e possui sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar.
No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram-na para o alto de uma montanha. O sol estava nascendo e dourava os picos das montanhas.
O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:
- Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!
A águia olhou ao redor. Tremia, como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então, o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, de sorte que seus olhos pudessem se encher de claridade e ganhar as dimensões do vasto horizonte.
Foi quando ela abriu suas potentes asas.
Ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto e voar cada vez mais para o alto.
Voou. E nunca mais retornou."
Existem pessoas que nos fazem pensar como galinhas. E ainda até pensamosque somos efetivamente galinhas. Porém é preciso ser águia. Abrir as asas e voar. Voar como as águias. E jamais se contentar com os grãos que jogam aos pés para ciscar.”

Extraído de artigo publicado pela Folha de São Paulo, por Leonardo Boff, teólogo, escritor e professor de ética da UERJ.
Para início de Ano Letivo

ÁRVORE DOS SONHOS


Representar uma árvore no papel pardo ou cartolina; afixá-la no painel ou parede.Em cima da árvore, escrever uma pergunta relacionada com o assunto (pode ser sobre questões ambientais, regras de convivência, o ambiente escolar etc) que será tratado durante o bimestre, trimestre...Ex.: Como gostaríamos que fosse...?Cada criança receberá uma "folha da árvore" para escrever seu sonho, o sonho é o que a criança espera que "aconteça de melhor" para o assunto em questão.Depois, pedir para cada criança colocar sua folha na árvore dos sonhos.Obs: Esta atividade poderá ser retomada durante o período que for trabalhado o assunto, ou ao final do período para que haja uma reflexão sobre o que eles queriam e o que conseguiram alcançar.

Fonte: Revista pedagógica

Dificuldades na aprendizagemMedicina Avançada - Sra. Shirley de Campos


Se a criança manifesta dificuldades na aprendizagem, tal poderá ter a ver não com falhas cognitivas (porque a criança até é inteligente), mas com privação de bem-estar emocional. Nessas circunstâncias é imprescindível saber como atuar. A visita a um profissional especializado – um psiquiatra infantil – poderá ser determinante.


Dificuldades de aprendizagem – identifique a causa


É crescente o número de crianças que não tem um rítmo de aprendizagem proporcional às suas capacidades. Estas crianças não só têm dificuldades de adaptação à escola como são suscetíveis de perturbar o ambiente escolar e prejudicar o aproveitamento e bem-estar das restantes.Na maior parte dos casos o que, efetivamente, está em causa é um desequilíbrio emocional que permita disponibilidade interior para manter vivo o desejo e o prazer de aprender.


O valor do afeto


Sabemos que a inteligência é, até um certo ponto, um patrimônio herdado dos pais. Cada criança tem um perfil heterogêneo com pontos fortes e fracos; por exemplo: há crianças que têm mais facilidade no raciocínio abstrato verbal, outras na área de organização espaço-temporal, etc. É por essa razão que as crianças têm potenciais diferentes: umas são melhores em línguas, outras em artes e outras em ciências e tecnologia.Sabe-se, contudo, que os fatores que determinam a possibilidade de desenvolver esse potencial inato são:· peso da estimulação afetiva (familiar, social, cultural) · o tipo de experiências que a criança vive com quem lhe está mais próximo.


A importância da autoestima


Em idade escolar a capacidade de aprendizagem é uma das primeiras a ficar afetada sempre que haja uma perturbação emocional da criança. Dois tipos de perturbação emocional podem ocorrer:

. transitória – como alterações reactivas a circunstâncias sentidas como adversas, como o nascimento de um irmão ou a separação conflitual dos pais

· permanente – quando as dificuldades são mais estruturais

A maioria destas crianças têm estruturas depressivas do seu funcionamento psíquico, isto é, são:

· desvalorizadas na sua auto imagem (são vulgares expressões do tipo: "sou burro", "não sou nada bom", "não faço nada bem")

· inseguras (são vulgares expressões do tipo: "não sei se consigo, faço isto ou faço aquilo?")

· têm pouca tolerância à frustração, desistindo rapidamente à primeira contrariedade ou respondendo agressivamente contra os outros,

· antecipam negativamente as situações escolares, sobretudo de teste ou avaliação formal (são vulgares expressões do tipo: "vou falhar, amanhã não vou conseguir"),

· têm dificuldades em interpor pensamento entre o sentir e o agir, pelo que a alteração dos comportamentos (instabilidade, hiperatividade ou agressividade ou, mais raramente, pela inibição e retirada) é a melhor imagem de marca desta situação.

Estão assim criadas as condições para um círculo vicioso negativo, já que as dificuldades na escola reforçam a má imagem que as crianças têm de si próprias. Se a isto juntarmos ainda a ansiedade dos pais, que também aumentam nos filhos a idéia de não estar respondendo às suas expectativas (são vulgares expressões do tipo: "será que eu sou o filho que os meus pais gostavam que eu fosse?"), temos completamente traçado o quadro habitual a que se assiste.


Reforce-lhe a segurança


Dê atenção a dois caminhos que se seguem e certifique-se de que faz tudo o que está ao seu alcance para proporcional ao seu filho condições para seguir o segundo.

. A sensação de não ser gostado --> insegurança -->maior dependência emocional --> a regressão, o desejo de regredir, estagnar ou, então, o medo de conhecer, o desejo de ignorar, esquecer ou, em caso último, destruir, morrer·

A sensação de ser gostado, amado --> segurança -->autonomia --> gosto de descobrir, conhecer--> desejo de crescer, pensar, sonhar, criar, viver.
Artigo: Dever de casa - Içami Tiba

Artigo:Dever de casa.

Por Içami Tiba:

Olá boa noite, eu estava dando uma olhada no site da UOL-EDUCAÇÃO, e achei este artigo do Içami Tiba, gostei e resolvi deixá-lo aqui para você que é pai, mãe e educador.

O artigo nos mostra a importância de manter uma disciplina com nossos filhos e alunos de estudos diários, pois sabemos que estudar não significa algumas horas antes da avaliação, a criança pega seu material de estudos e simplesmente decora aquilo que o professor disse que cairia na "prova".

Leia, é legal e recomendo também ler os livros deste autor, suas dicas de "Como Educar", valem a pena.
"Pais: Dêem um basta à súplica para que o filho passe de ano. Seu filho não tem que ser aprovado e sim aprender o que lhe é ensinado.

Nosso cérebro aprende perfeitamente neste binômio pergunta-resposta, não importa a ordem. Não se aprende com uma pergunta sem resposta nem com uma resposta sem se saber da pergunta.

Os pais têm que acompanhar de perto os estudos dos filhos, não permitindo que costumes populares tão arraigados na cultura estudantil brasileira tomem conta deles. Os conceitos contemporâneos de educação formam hoje um novo paradigma: o da Alta Performance. É fazer e pensar o melhor possível para o bem da humanidade e da preservação das condições de vida no planeta. Deve-se usar sempre o seletor de pensamentos para escolher os melhores dentre os 60.000 que temos a cada dia, dos quais 95% são simplesmente repetitivos. São 55 pensamentos por segundo para quem dorme 8 horas por dia. Para se fazer o melhor possível uma pessoa tem que ter conhecimentos atualizados e a prática do aprender sempre. A obsolescência é um atraso de vida.

Os pais devem saber que decoreba não é aprendizado, mas sim um material colocado pronto no cérebro que não é assimilado pelo corpo do conhecimento, pois é perecível e descartável. Ele perece após a prova, sendo ou não usado. A memória retém o conteúdo até o término da prova, após a qual ele é deletado. Quando se registra em algum lugar o número do telefone, este desaparece da memória. Para aprender, o aluno tem que estudar corretamente e descobrir sua finalidade, que é encontrar o significado daquela matéria estudada.

É impossível os pais estudarem pelo filho ou controlarem a mente dele. Os pais podem até obrigar o filho a estudar, mas o que ele faz na mente dele, só a ele pertence. Os pais têm como exigir resultados e isto dá trabalho, mas é fácil.O filho tem o dever de estudar em casa as matérias que os professores passaram em aula diariamente e não somente nas vésperas das provas. O filho pode descobrir qual o melhor meio para estudar, mas que faça um resumo de três linhas sobre o que estudou, usando em média 50 palavras próprias. A quantidade, em média 50 palavras, é suficiente para desenvolver uma idéia com começo, meio e fim, usando resumidamente algumas explicações básicas. É quase um terço das 140 palavras que se usa no Twitter, serviço de microblogging em que mensagens curtas e rápidas são trocadas na internet. A qualidade das próprias palavras sem usar nenhuma do texto estudado é para que o corpo do conhecimento que assimilou o conteúdo, use-o pela primeira vez no texto não como repetição, mas como uma experimentação. Quem não conseguir usar as próprias palavras é porque não fez a própria assimilação e "decorou" o texto. Só se consegue expressar desta maneira quem realmente tenha assimilado.

A grande novidade deste método de Alta Perfomance de Estudo é descobrir onde e como aplicar o que estudou. Isso deve também estar resumidamente escrito como observação além do texto, no próprio resumo, como se fosse um item "Como ou quando usar". Assim, o cérebro completa o binômio pergunta-resposta para completar um conhecimento.Cobrar este resumo é fácil. Basta que o filho envie pelo celular como SMS, e-mail etc. Os pais estão preparando o filho para serem responsáveis sem deixar nada para depois. Cobrar que os filhos cumpram com suas obrigações é um gesto de amor, e quem ama, educa. Se o filho é mole, a cobrança tem que ser firme. Ele não poderá fazer qualquer outra atividade (sair, "internetar", dormir, etc) sem antes cumprir sua tarefa do dia. Caso ele durma sem tê-la feito, cabe aos pais acordar o filho para que faça. Poupar o filho "já que ele dormiu" é dar marcha ré no processo do aprendizado responsável. Acordar o filho não é ruindade mas muito amor para poder dissolver a preguiça mental e corporal que mina qualquer educação e atrasa o Brasil. "Içami Tiba

Içami Tiba é psiquiatra e educador. Escreveu "Família de Alta Performance", "Quem Ama, Educa!" e mais 25 livros



CONTO: PARA CONTAR ESTRELAS

_ PAI, COMO É QUE A GENTE CONTA ESTRELAS DO CÉU? PERGUNTOU LELÊ.
O PAI BAIXANDO O JORNAL, FOI LOGO FAZENDO POSE DE EXPLICAÇÃO.
_ BEM, EXISTEM EQUIPAMENTOS ESPECIAIS PARA ISSO. ELES TIRAM FOTOS DO CÉU E FAZEM MEDIÇÕES. E TEM O HUBBLE, QUE É O BAMBAMBÃ DOS TELESCÓPIOS! MAS SÓ OS CIENTISTAS PODEM USÁ-LO. ENTÃO, CADA UM CONTA COM O QUE CONTA À MÃO.
_ AH! DISSE LELÊ COM ADMIRAÇÃO, MESMO SEM TER ENTENDIDO MUITO BEM (ELE AINDA ESTAVA NO SEGUNDO ANO).
A MÃE O CHAMOU NA COZINHA PARA UM LANCHE.
ELE SE SENTOU À MESA PENSANDO AINDA NO QUE O PAI TINHA DITO.
DECIDIU PERGUNTAR PARA ELA TAMBÉM.
_ ISSO SEU PAI DEVE SABER. POR QUE NÃO PERGUNTA PARA ELE.
_ JÁ PERGUNTEI. ELE FALOU VÁRIAS COISAS, MAS NÃO ENTENDI DIREITO: O QUE CADA UM TEM NAS MÃOS E ....
_ ORA, NAS MÃOS A GENTE TEM DEDOS! POR QUE VOCÊ NÃO CONTA OS DEDOS? DISSE A MÃE, QUE ERA BEM MAIS ESPERTA QUE O PAI NOS ASSUNTOS PRÁTICOS.
_HUM ..., PENSOU LELÊ. ASSIM EU SEI! E FOI LOGO DEVORANDO O SANDUÍCHE
UNS MINUTINHOS DEPOIS, LELÊ JÁ ESTAVA NO QUINTAL. OLHAVA PARA O ALTO, BEM FUNDO NO CÉU DAS ESTRELAS.
PARA COMEÇAR MIROU A MAIS BRILHANTE E PASSOU A CONTAR EM VOZ ALTA:UM ... DOIS ... TRÊS ..., RECOLHENDO UM DEDO DE CADA VEZ. CHEGOU ATÉ DEZ. OLHOU PARA AS MÃOS, OLHOU PARA O CÉU.SUSPIROU. O PROBLEMA É QUE ELE TINHA SÓ DEZ DEDOS, E O CÉU TINHA MUITO MAIS ESTRELAS.
DESANIMADO, SENTOU-SE NA VARANDA, APOIANDO O QUEIXO NAS MÃOS .SUA AVÓ, QUE SEMPRE OBSERVAVA TUDO BEM QUIETINHA, FOI LÁ FALAR COM ELE.
_ O QUE FOI FILHO?
_ NADA ...
_ HUM. SABE, EU CONHEÇO UM JEITO DE FAZER CABER TODAS AS ESTRELAS NA MÃO, DE UMA SÓ VEZ.LELÊ OLHOU DESCONFIADO, MAS FICOU ATENTO, ESPERANDO O RESTO DA HISTÓRIA.
_ ESTÁ VENDO AS ESTRELA LÁ EM CIMA?SÃO TÃO PEQUENININHAS, NÃO É MESMO? POIS ENTÃO, BASTA VOCÊ OLHAR BEM PARA ELAS, COMO SE FOSSEM GRÃOZINHOS DE AREIA. DAÍ VOCÊ PASSA A MÃO, ASSIM, POR TODO O CÉU, COMO SE ESTIVESSE VARRENDO, E FECHA DE UMA VEZ NO FINAL!DEPOIS, CHACOALHA BEM E PÕE EM CIMA DO CORAÇÃO, PEGANDO EMPRESTADO UM POUCO DA LUZ DELAS.
ELA DEU ENTÃO UMA PISCADELA E FOI ENTÃO SE LEVANTANDO PARA ENTRAR EM CASA.
LELÊ PERCEBEU UMA EMOÇÃO ESTRANHA NO PEITO, SENTIU UMA SAUDADE IMENSA DA AVÓ, QUERIA QUE ELA MORASSE COM ELE PARA SEMPRE.DESDE ENTÃO, SEMPRE QUE TINHA VONTADE, LELÊ CONTAVA TODAS AS ESTRELAS DO CÉU. E NUM PUNHADO SÓ.

Autor: André de Martini, é professor e psicanalista.
Texto retirado da Revista Nova Escola janeiro/fevereiro/2009